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As divisões no Fed tornaram-se tema central do debate econômico dos EUA. O banco enfrenta forte pressão porque a inflação segue resistente, enquanto o mercado de trabalho desacelerou. Esses movimentos criaram um ambiente em que as metas de preço e emprego entram novamente em conflito. Além disso, a paralisação do governo atrasou dados importantes e ampliou a incerteza antes da reunião de dezembro. Como resultado, os formuladores de políticas chegaram ao encontro com posições rígidas e pouco conciliadoras.
Pressões internas antes da reunião
O Comitê Federal de Mercado Aberto vive um dos momentos mais fragmentados desde 2019. Pelo menos cinco votantes declararam oposição ou dúvida sobre novos cortes de juros. Contudo, três governadores defendem reduções rápidas para sustentar o emprego. Assim, a reunião tende a produzir votos dissidentes, independentemente da decisão final.
Christopher Waller afirmou que o nível de alinhamento neste ciclo parece o menor em muitos anos. O comentário reforçou expectativas de um placar apertado caso o comitê aprove outra redução de 0,25 ponto percentual. Embora divergências existam desde décadas anteriores, votações tão divididas são raras e costumam gerar ruído nos mercados.
Sinais dos principais dirigentes
Jerome Powell manteve cautela e evitou orientar o mercado de forma explícita. Porém, John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou que existe espaço para cortar juros no curto prazo. Essa posição estimulou previsões de um acordo, desde que o comunicado final aponte para uma pausa após dezembro.
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Nos últimos pronunciamentos antes do período de silêncio, opositores a novos cortes disseram estar abertos à análise dos dados. Por outro lado, Waller salientou que decisões futuras dependeriam dos indicadores atrasados pela paralisação do governo. Esse ambiente reforça as divisões no Fed e dificulta a construção de consenso.
Influência e riscos de ruído
Thomas Barkin alertou que o foco excessivo em quem concorda ou discorda pode levar à perda de perspectiva. Ele afirmou que, mesmo quando discordou, manteve votos alinhados ao presidente para preservar influência. Barkin lembrou que clareza e unidade ajudam os mercados a ajustar expectativas sem volatilidade excessiva.
Pesquisas do Fed de Chicago mostram que discursos alinhados ao presidente têm impacto maior sobre preços de ativos. Já falas divergentes criam ruído e podem enfraquecer a transmissão da política monetária. Assim, votações divididas ampliam incertezas sobre o rumo das taxas e afetam ativos de risco que dependem de previsibilidade.
Comparações com outros bancos centrais
O Fed ocupa posição intermediária entre seus pares no nível de consenso. O Banco Central Europeu adota uma postura mais alinhada e, raramente, apresenta vozes contrárias. Por outro lado, o Banco da Inglaterra convive com votações apertadas e divergências frequentes. Desde 2024, seu comitê registrou várias decisões por 5 a 4.
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No Fed, dissidências são comuns, mas geralmente envolvem um único voto contrário. Contudo, esse padrão mudou nos últimos anos, quando alguns nomeados pelo governo passaram a defender cortes mais agressivos. Caso esse movimento cresça, conflitos maiores podem surgir entre presidentes regionais e governadores de Washington.
Implicações políticas e futuro da instituição
Com o fim do mandato de Powell se aproximando, pressões políticas aumentam. O cenário eleitoral adiciona tensão, pois indicações para o conselho podem alterar o equilíbrio interno. Caso as divisões no Fed persistam, reformas no processo de votação podem voltar ao debate. Especialistas sugerem que o Congresso poderia revisar o papel de dirigentes não indicados pelo presidente.
Conclusão
As divisões no Fed refletem a dificuldade de equilibrar inflação, emprego e estabilidade financeira num momento de incerteza elevada. Votações divididas podem enfraquecer a comunicação do banco e ampliar o ruído nos mercados. Assim, a busca por consenso será crucial para proteger a credibilidade da política monetária e orientar expectativas de forma clara e estável.
“Como a política monetária do Fed afeta ativos de risco e câmbio”